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A história das Bolsas


Você sabe como surgiram e se modificaram as bolsas durante os anos? Vem descobrir com a gente essa história fascinante!


Não se sabe ao certo a origem das bolsas, nunca foi documentado a primeira pessoa a usar ou quem inventou. Este acessório surgiu como uma necessidade e foi evoluindo com o tempo. Os primeiros tipos de bolsas eram utilizados na realidade por homens, como uma espécie de niqueleira para guardar moedas e dinheiro.


Foi apenas no Século XII que a primeira bolsa com design foi inventada, e claro que foi por mãos de italianos. Costumeiramente esses acessórios eram feitos em dois materiais: em couro, na cidade de Florença, ou em seda na cidade de Veneza.



E apenas quatro séculos depois, no século XVI, que algumas mudanças de design começaram a serem feitas no modelo “original” italiano. Foi nesta época que se tornou comum para as mulheres possuírem e carregarem suas próprias bolsas. Virou tradição que os homens presenteassem suas amadas com bolsas de veludo que guardavam dentro de si um retrato deles e também joias preciosas. Nessa mesma época a moda masculina mudou muito e foram introduzidas peças como calças largas com bolsos grandes, assim eliminando a necessidade de bolsas masculinas.


Você lembra da Belle Époque? Esse é o período que sucede a era vitoriana e ele começa na década de 1890. Nesses anos a moda mudou completamente, a alta sociedade vivia com extravagância. Na moda, as mulheres casadas se vestiam com vestidos longos e muitos ornamentos, além de chapéus e joias chamativas; já para as mulheres solteiras a vestimenta era mais discreta pois era mal visto na sociedade que mulheres não casadas chamassem atenção. As bolsas desse período eram ornamentadas e bordadas, bem chamativas, para serem usadas a noite em eventos sociais, enquanto as de dia eram de couro e bem simples. Outra coisa muito importante para a vida social dessa época eram as viagens (feitas de navio), e foi aí que marcas icônicas de malas surgiram como a Hermès e a Louis Vuitton.



Tudo mudou quando a Primeira Guerra Mundial começou, em 1914. Com os homens lutando, a força de trabalho de mulheres se fez necessário e até mulheres “de berço” se voluntariaram para ajudar. Nesse sentido, as bolsas se tornaram produtos utilitários, com alças para serem carregadas no ombro: afinal elas que nunca precisaram se preocupar em carregar coisas durante o dia agora iam trabalhar e passavam o dia fora, então precisavam levar suas chaves, comida e outros objetos.



Nos anos 20 a guerra acabou, mas a realidade de trabalho havia mudado a perspectiva das mulheres, gerando novos valores e novas vontades. Contudo, o casamento ainda era o ponto mais importante no dia a dia feminino e, com grande baixa populacional de homens que morreram lutando, o mercado estava escasso. Assim, as mulheres começaram a se vestir de forma mais chamativa e atraente: não haviam mais corsets, os vestidos encurtaram e o corte de cabelo também! Se você já viu o filme O Grande Gatsby (baseado no livro escrito por Scott Fitzgerald neste período) vai entender muito bem como era a vestimenta e o comportamento festeiro e extravagante da época. As bolsas agora tinham uma mescla entre o luxo e a praticidade.


Na década seguinte a moda se tornou mais sóbria, resultado da Grande Depressão de 1929 nos EUA e das greves na Inglaterra. Neste período a Hermès incluiu em seu catálogo uma bolsa pequena com alça de mão, era o modelo original da Bolsa Kelly surgindo! Nessa época as mulheres carregavam seus próprios cigarros e isqueiros, então precisavam de uma bolsa para leva-los e guarda-los.



Com o surgimento da Segunda Guerra Mundial, mulheres de todas as classes voltaram ao mercado de trabalho tanto em fábricas, em escritórios e no setor de serviços. Elas não tinham meios (nem eram permitidas) de comprar novas roupas afinal os tecidos estavam em racionamento. Nesse período as bolsas tiracolo (ou transversais) foram introduzidas. Mesmo com o fim da Guerra, o racionamento e a escassez continuaram por alguns anos.


Foi apenas em 1947, com o New Look criado por Christian Dior, que as coisas começaram a mudar no mundo da moda, e assim deu-se início à década de 50! As mulheres se tornaram donas de casa e a eletricidade e os aparelhos elétricos dispensou a necessidade de serviçais. Dessa maneira as mulheres começaram a carregar duas bolsas: uma para uso pessoal e outra para compras no mercado. Foi nessa década também que Chanel lançou sua bolsa de maior sucesso: a 2.55!



A década de 60 chegou e com ela muitos jovens politicamente engajados, realizando protestos para terem suas demandas escutadas. O surgimento da pílula anticoncepcional também gerou uma liberdade sexual que seria refletida nas roupas: mais justas, com saia menores e muito sex appeal. As bolsas tiveram que mudar também, e formatos estruturados e rígidos (tipicamente usados por figuras de alto escalão como a Princesa Grace ou Jackio O) foram trocados por bolsas transversais com alças extra-longas (agora deixando a bolsa na altura do quadril).


Esse sentimento de liberdade e de engajamento político foi crescendo cada vez mais, começando a dar origem ao movimento punk. Enquanto isso, nas baladas dos anos 70, a era Disco reinava! Outras culturas foram sendo estudadas e usadas como inspiração, o que obviamente se traduziu na moda como na estética do movimento Hippie. Nesse sentido, as bolsas tinham uma estética mais relaxa e informal, as vezes com algum detalhe artesanal e manual.



Já os anos 80 surgiram com um grande BOOM do mercado de trabalho: as mulheres agora permeavam vários setores e algumas tinham até diplomas. Nesta época a Lady Diana se tornou um grande ícone fashion. Em contraponto à vestimenta mais elegante de trabalhadoras, o movimento de cuidados com o corpo e exercícios se tornou enorme e linhas de roupas esportivas com fio de Lycra eram essenciais e bem coloridas. As pastas faziam parte do uniforme de trabalho enquanto bolsas mais glamorosas eram utilizadas em festas.


No fim do século, com o surgimento dos celulares e o início da democratização da internet, o nosso modo de se comunicar mudou. As bolsas agora carregavam celulares! ­O estilo minimalista era a moda da vez, porém elegante, sofisticado e caro. Neste período Tom Ford assumiu a direção criativa da Gucci e começou a introduzir bolsas com logos nas passarelas. Nessa época também surgiram bolsas focadas na utilidade e praticidade, como as pochetes de Helmut Lang e Prada.

As bolsas icônicas retomaram sua força, e várias novas surgiram. Objetos de desejo e de luxo, elas eram usadas por atrizes, modelos e celebridades. A exclusividade fez com que as pessoas almejassem ainda mais esses produtos, levando o preço desses artigos ao teto! Desde então, as bolsas são artigos essências e indispensáveis no guarda roupa feminino: elas vem em diversos formatos e cores, para servir ao estilo da mulher moderna e versátil!


Fonte: Livro "Handbags to have and to hol" de Carmel Allen